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Dois jovens entusiasmados no primeiro dia da lojinha/restaurante Lá do Sítio. Poucos meses antes da pandemia de covid-19, decretada há exatos 4 anos, quando, com seis meses de inauguração, fechamos.

Olho para essa Maria de 2019 e tenho uma vontade enorme de abraçá-la e cochichar: força, mulher! Você vai precisar. Peguei meu HD para ver fotos, mas desisti: ótimos registros da evolução das máscaras de proteção e muitos da cozinha, mas acessar esses primeiros anos me deixa muito emotiva.

Tempos muito difíceis para todo mundo, especialmente para nós, brasileiros, pela maneira desastrosa como fomos obrigados a lidar com a doença. Gosto nem de lembrar.

Vim aqui postar essa foto porque hoje cedo passou um filme na cabeça de tudo que a Lá do Sítio viveu nos últimos quatro anos. Mudamos menu, mudamos cozinha, trocamos a equipe inteira, recebemos uma consultoria que deu novo rumo à gastronomia e amadurecemos muito, mas nos exaurimos um bocado. Sem férias, sem descanso, disputando com preços baixíssimos de empresas do ramo, impraticáveis para comida de verdade e sem veneno, fora os impostos surreais para qualquer projeto pequeno.

Empreender no Brasil é desafiador. Hoje bateu um desânimo porque mais uma vez tivemos imenso prejuízo com a produção. São momentos que eu repenso tudo que fazemos para checar se eu não estou mesmo doida de seguir com esse projeto que, eventualmente, não é sustentável para nossa vida – por questões de tempo, tempo de vida, tempo de bobeira, tempo de descanso.

Daí, olhei para essa Maria de quatro anos atrás e tive vontade de perguntar: como você consegue ser tão entusiasmada sendo consciente das coisas? Não era fácil quando começamos também, lá em 2017. Então lembrei da resposta: o desejo de sempre acertar e a certeza de que não poderia estar fazendo outra coisa.

Acredito no que a gente faz. Acredito muito nesse projeto. Vou fazer o que for preciso para a gente sobreviver a mais um dia difícil, a mais uma fase ruim e a mais um luto.

Obrigada por estarem sempre nos apoiando, incentivando, indicando e compreendendo minhas mensagens de: deu ruim!

Obrigada por nos permitirem chegar até aqui, acreditando na gente. Vai passar ❤️

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